Aziel ✯ Por Ellie S. Harper


Autor desconhecido
 
 
A humanidade…

Provavelmente o bando mais curioso a caminhar sobre a terra. Peões, na eterna batalha do Bem contra o Mal. Ou pelo menos é o que dizem. Nós nunca o vimos dessa maneira. Bem… Mal, Preto, Branco, Fogo, Água, Óleo e Vinagre. Por vezes os meus pensamentos deambulam por estas noções, prendendo-se nestas imposições rígidas e lamentáveis. Alguns acusam-nos de imprudentemente lhes termos concedido o dom do livre arbítrio arrastando-os para este conflito celestial sem pensar nas consequências de tal ato, mas eu acredito que agimos da forma como devíamos, mesmo que nos olhem como vilões.

Vilões… o que diabos se passa com esta Humanidade e com os seus conceitos absolutos em que um elemento só pode ser definido por outro que se lhe opõe?

Há muitas cores num arco-íris, sabem?

Nem tudo pode ou deve ser definido por oposição; se não é bom então é porque deve ser mau.

É preciso ser-se muito míope para advogar tal perspetiva…

No inicio não havia uma guerra. Por vezes tínhamos algumas pequenas disputas é certo, mas eram meras querelas inconsequentes entre fações que pensavam de maneira diferente. Nada de inquietante, depois apareceu a Humanidade. Apropriaram-se do nosso domínio, começaram a utilizar a sua própria linguagem, espalharam-se por todo o lado com os seus costumes e criaram um enorme desequilíbrio na nossa ordem.

O nosso Pai chamou-lhes a Sua Criação. A Sua orgulhosa Criação… confesso que tal entusiasmo não foi assim tão bem acolhido pela nossa parte. Daí que aquilo que, anteriormente, começara como uma ligeira divergência de opiniões, na verdade inofensiva na sua essência, rapidamente escalou para um conflito.

A Humanidade até podia ser a Sua Criação, mas eramos nós que tínhamos de tomar conta dela e nós achávamos que esta barganha estava muito longe de ser justa.   

 A discórdia que se instalara entre nós crescia à medida que o tempo passava e quando a fenda que se abrira se tornou intolerável, fomos forçados a escolher um dos lados. Eu tive de escolher. Todos tivemos de escolher.

O meu lado decidiu revoltar-se e defender aquilo em que acreditava. O outro lado, resolveu fazer exatamente o mesmo e o confronto tornou-se inevitável. Não vos sei dizer se está certo, ou se está errado, mas posso dizer-vos que nesse dia aprendemos uma das lições mais valiosas e mais importantes da nossa existência; defender aquilo em que acreditamos tem sempre um preço a pagar, ou se paga com a vida, ou se paga com a alma. Para nós foi a perdição. E o teu? Qual será?

O meu nome é Aziel, sou um dos caídos e tal como muitos dos meus irmãos e irmãs também eu estou condenado a vaguear pela terra até ao final dos tempos e a ser caçado como um animal. Os humanos chamam-nos demónios, os sombrios, os caídos em desgraça e por isso perseguem-nos sem dó nem piedade. Sem sequer se aperceberem que estão a fazer o trabalho sujo de outrem.
 
(nota: tradução HRM) 
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