O patinho feio

Um dos maiores dramas femininos da adolescência é o síndrome do patinho feio. Esta, é uma daquelas coisas que quando nos assola, o melhor é esperar que passe por si só. Não há nada, nem ninguém que possa fazer algo por nós. A solução, tal como em muitos outros casos, tem sempre de partir de dentro e muitas vezes é um processo longo e demorado, que assenta numa construção sólida da autoestima.

Todavia, quando temos 15 ou 16 anos - por algum motivo desconhecido - não temos tempo, nem paciência para processos longos e demorados. Tudo tem de ser já! E se for para ontem tanto melhor, visto que já vem atrasado. Aquele rapaz giro de quem nós gostamos, ou melhor... amamos de paixão assolapada (esse e os outros todos que vierem a seguir porque convém diversificar um pouco), não espera por nós. Mas o grave, nem é o facto de não esperar por nós. Grave mesmo é a concorrência. O rapaz até tem um par de olhinhos! Vejam bem... E se por acaso caiem em cima de uma amiga nossa, daquelas assim mais vistosas (todas temos uma destas), é o apocalipse. O mundo acaba, o nosso coração parte-se em mil pedacinhos e vamos passar meses a melgar a nossa melhor amiga (que é o mais parecido com um psicólogo e está mais à mão), com o assunto.

Não somos a rapariga mais gira. Não somos a mais bem vestida. Não somos a mais popular. Na realidade, até somos um bocadinho transparentes. Ou por outra, seríamos um bocadinho transparentes não fossem os quilinhos a mais, ou os ossos a mais, ou a altura a mais, ou a altura a menos. Enfim, é uma espécie de jogo de matemática; defeitos a mais e qualidades (normalmente físicas) a menos. Ora, toda a gente sabe que - em matemática -  a soma de (+) com (-) nunca pode dar positivo logo, o resultado terá de ser sempre (-), por isso estamos sempre em desvantagem. Ele nunca vai olhar para nós. Ele nunca se vai interessar por nós e com a sorte que temos, o rapaz ainda se haverá de interessar pela nossa melhor amiga.

A todas aquelas que já passaram (ou passam) por situações semelhantes, esta é a parte em que começa a aparecer um sorrisinho malévolo no cantinho dos meus lábios...

Minhas queridas, não há nada que o tempo não cure e na maioria das vezes, deixar o tempo correr é o melhor que podemos e devemos fazer. O tempo muda-nos. Faz-nos crescer. Faz-nos olhar as coisas de outra forma. Com o passar do tempo o patinho feio, entretanto cresceu e agora é um cisne. O tempo tem destas coisas. Mas sabem o que é mesmo giro? É que o melhor que o tempo faz é mudar os outros também. Aquele rapaz, que era tão giro e de quem nós tanto gostávamos, também cresceu e agora é um ogre. E o pior é que nem podemos dizer que é o Shrek, porque esse até é um ogre com um ar simpático.
Transformou-se assim uma coisa mais à laia deste género, da fotografia aqui esquerda. Efetivamente cresceu... e expandiu-se. Para os lados e para a frente. Ficou careca e anda com uma série de apêndices atrás. No fim de contas, acabou por se casar com um estafermo, daqueles que nós nunca pensámos que faria o seu género e acomodou-se. Está, certamente, contentinho com a sua vida (ou não). Faz as mesmas coisas que sempre fez e frequenta os mesmos sítios de há 500 anos atrás, ainda da época de quando o Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa-Esperança.
 
Transformou-se no tipo de pessoa que esperamos que não nos reconheça e não nos venha cumprimentar. Transformou-se no tipo de pessoa da qual nós nos escondemos atrás dos óculos escuros, atrás de um jornal ou de uma revista que nos ofereça alguma protecção e isto é considerando que não bombardeamos as amigas com mensagens de SMS a dizer: "Socorro! Vem buscar-me depressa antes que o ogre se lembre de mim!"
 
Infelizmente, as estratégias de camuflagem não são 100% eficazes e meia-volta haverá um ogre, ou outro, do qual não nos conseguimos escapar. Quando tal acontece, a melhor estratégia é, claro, ser sempre simpática, bem-educada e sair daquela situação embaraçosa o mais rapidamente possível que é para a conversa não ser muito longa, caso contrário a probabilidade de termos de mentir começa a ser muito alta (e.g. Imaginem que ele diz: Estás óptima!; o que é que dizem a seguir?... Olha e tu pareces um ogre... quer dizer, não é lá muito simpático).
 
Moral da história... a vingança tarda, mas não falha. Ah ah ah  :)   
   

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